segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Precocidade de Portugal na formação de um império transoceânico


Os países ibéricos foram os primeiros povos europeus a iniciar a expansão ultramarina e a construir impérios coloniais. No século XVI duas cidades ibéricas tornaram-se importantes centros económicos: Sevilha e Lisboa.
Em 1415, Portugal partiu para a expansão pois precisava de arranjar produtos para manter a subsistência da população, após a crise do século XIV, que arrasou o país. Os negócios da costa ocidental africana cedo mostraram lucro. Os novos produtos que eram trazidos para Lisboa atraiam novos comerciantes vindos de toda a Europa. Mas para prevenir a concorrência de outras nações e para assegurar o comércio, a coroa portuguesa decidiu criar um monopólio régio, no qual era o Estado que controlava o comércio e os lucros provinientes desta actividade.
Os portugueses passaram a controlar o comércio mundial, pois até a antiga rota das especiarias, que passava pelo mar vermelho, foi substituída pela rota do Cabo.

“foram os exploradores portugueses [...] que [no século XVI] uniram, para o melhor e para o pior, os ramos separados e distantes da grande família humana”

Charles Boxer

Por estas razões podemos afirmar que os portugueses e os descobrimentos dos séculos XV e XVI desempenharam um papel fulcral no que é hoje chamado de globalização.

As hesitações do crescimento: crises cerealíferas, crises de subsistência e crises demográficas


Entre os séculos XVI e XVIII a economia da Europa evolui de diferentes maneiras consoante as regiões. Mas no geral estes séculos foram épocas de crescimento demográfico e económico para toda a Europa. Porém, apesar deste crescimento, o período entre 1560-80 e 1715-20 foi de crises, provocadas por vários factores:

  •  A irregularidade das condições climatéricas, que provocavam más colheitas e que levavam á subnutrição e à fome;

  • O elevado índice de mortalidade das populações, que afectava a mão-de-obra e certos sectores produtivos;

  • Epidemias, como a peste negra, que eram o resultado de crises de subsistência e também da falta de higiene e das más condições de vida da população mais pobre desta época;

  • Guerras, que influenciaram as elevadas taxas de mortalidade e vários sectores económicos dos países.

Estes factores estavam quase sempre associados, pois um dava sempre origem a outro
 ( por exemplo:  a guerra dava origem às altas taxas de mortalidade e à falta de mão de obra, o que originava más colheitas, pois havia menos pessoas para fazer o trabalho do campo, e isto provocava crises de alimentação, que provocavam, por sua vez, mais mortes ).
Portanto pode-se afirmar que esta época foi uma época marcada pelas crises cíclicas que entravaram o desenvolvimento e provocaram estagnação e recessão pela Europa inteira.

domingo, 10 de outubro de 2010

A concentração urbana dos séculos XVI a XVIII


As Cidades nos séculos XVI a XVIII, estavam quase sempre bem situadas geograficamente, ofereciam boas condições de vida e eram os locais indicados para os grandes mercados e feiras. Por estas razões, a burguesia empresarial e financeira estabeleceu nelas as sedes das suas empresas, isto atraiu, por sua vez, fluxos populacionais, vindos do campo, que procuravam outras oportunidades de vida.

Nesta época havia dois tipos de cidades:
·         Pequenas cidades, ainda semi-rurais, onde habitava mais de metade da população urbana;
·         Grandes cidades (embora poucas), onde se situavam as sedes dos grandes mercadores,  eonde estes comandavam os mercados e a produção, sobretudo industrial.

Os mais importantes e influentes mercadores esta época foram o Fugger e os Médici, que espalharam companhias por toda a Europa. A casa-mãe dos Fugger era em Augsburgo, na Baviera, e a casa-mãe dos Médici em Florença, em Itália.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

A predominância rural: principais alterações agrícolas


Nos séculos XVI a XVIII, a Europa dependia  muito da agricultura, cujas actividades eram ainda a base de subsistência da maior parte da população, apesar do avanço das outras actividades económicas, tais como o comércio. Grandes áreas do solo dos países eram ocupadas por aldeias e grandes propriedades senhoriais, e os camponeses representavam 70 a 85% da população total.
Porém o mundo rural sofreu também alterações e inovações na prática dessas actividades, pois estes séculos foram afectados por uma grande expansão demográfica, que levou à cultura intensiva de cereais, bem como uma acentuada concentração urbana. Houve também uma dinamização da indústria têxtil, que levou ao cultivo do linho, do cânhamo e de plantas tintureiras; uma revolução comercial ultramarina, que permitiu a introdução de novas culturas, como o milho, o tabaco e a batata; também foi possível aumentar as superfícies cultivadas através da conquista de territórios ao mar e da recuperação de pântanos.
Mas apesar do melhoramento das práticas agrícolas, houve vários factores que levaram à estagnação da economia agrária, como por exemplo, o facto de o proprietário ser livre de despedir o colono quando lhe conviesse e a actuação fiscal nas produções agrícolas. Estas acções levaram  a uma ruptura do equilíbrio entre as classes, que ajudou bastante na estagnação do mundo agrário.